2.3.10

Besouro, 2009.


Coronel: Acho bom você resolver isso logo, Noca.
Noca: Não vai ser fácil não, Coronel.
Coronel: E por que?
Noca: Porque ele voa


Vou te contar porque Besouro não teve a repercussão merecida, mesmo com uma equipe experiente (e do exterior) em coreográfias e fotografias cinematográficas: A essência de Besouro é o Candomblé. Há algumas referências do cinema. E das boas. O Exu lembra Xerxes, do filme 300, só que mete ainda mais medo por se tratar de um orixá. As coreografias de lutas são belíssimas e te remetem a filmes como o Tigre e o Dragão.
O que torna a história do lendário Besouro uma realidade e, porque não, uma trama exclusiva e desprovida de réplicas, é a cultura africana incutida nele. Os personagens percebem a força e presença dos orixás, dialogam e lutam com eles. E candomblé isso, quer você queira ou não. Com isso é mais fácil aceitar a força de Besouro, que se concretiza a partir do momento em que os Orixás são apresentados de uma forma poética e respeitosa para ele e para o telespectador.



Cresci ouvindo que Exu é o orixá que deve ser o mais tapeado, em primeiro lugar (e o mais malvado), então, ficou muito fácil identificá-lo no filme. Mas Besouro não é só feito de orixás. A capoeira é a dança que consagra a cultura africana e é bonita de se ver. Os efeitos especiais são um show a parte e as cenas de amor não deixam nada a desejar. Quando Besouro dança com Dinorá  até o momento em que eles fazem amor é uma das coisas lindas que vi no cinema nacional até hoje. Para não me prolongar, resumo numa simples linha: é um filme com características de filmes internacionais (com grandes efeitos especiais) sustentado – e muito – pela nossa cultura.
Algumas pessoas rejeitam Besouro por considerar as atuações fracas, inexpressivas. Acho que foi de muito bom tom escolher atores desconhecidos para que captássemos todo sofrimento do negro naquela época. Como ser expressivo, cheio de gestos numa época de chibata, castigos e trabalho escravo? Me responda você. Porque para mim o filme é perfeito e já tem uma importância grande para mim. Além de ter o Macalé, que faz o Mestre Alípio e que conheço desde pequeninha.
Ah, just for the record, um pai de santo me disse certa vez que eu sou filha de Iansã.